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Histórias Contadas

Assuntos de mães

(a ti, que hoje acordaste com o coração pequenino como uma noz)

Partir a cabeça faz parte da infância de todos nós. Ou partir uma perna. Ou partir um braço. Tão certo como aprender a nadar ou a andar de bicicleta.

Partir a cabeça assume uma dimensão completamente diferente quando de filhas passamos a mães. Porque agora quem parte a cabeça são os nossos filhos, ou sobrinhos, ou afilhados. Aqueles que nós queremos proteger acima de tudo!

Há quase 7 anos atrás, no dia em que o G. nasceu, estava eu para lá de K.O. depois de demasiadas horas de trabalho de parto, e vendo-o ali, indefeso, a dormir ao meu lado, questionei-me sobre o que deveria fazer a seguir: continuar a observá-lo pela noite fora (para ter a certeza que o coração batia), ou fechar eu também os olhos e colocar nas mãos de Deus a sua (nossa) existência. Optei pela segunda. Desde então, tem sido esta a minha filosofia de vida.

Claro que já apanhei vários sustos. Um deles aconteceu quando estava grávida da M. Ia eu a atravessar a rua com o G. ao colo quando me desequilibrei a ponto de cairmos os dois três no chão. Naqueles instantes que antecederam a queda, só tive tempo para pensar qual seria o melhor ângulo para cair. As hipóteses não eram muitas, com uma barriga de seis meses e uma criança de ano e meio ao colo. Virei-me, para cair de lado, puxando-o para mim, para evitar que batesse no chão. A coisa não correu como eu esperava e ele não só bateu com a cabeça no chão, como ficou com a testa bastante mal-tratada. Voei para o hospital e fui atendida por uma médica novinha que me pediu para despir o menino, para o examinar. Como sabes, o G. sofre de eczema de pele, que tem como sintoma manchas vermelhas espalhadas pelo corpo, e, por aqueles dias, estava com uma crise “daquelas”. Quando levantei a camisola e ela viu o seu pequeno corpo todo vermelho, a par com a ferida na testa, fitou-me com um olhar que revelava, simultaneamente, espanto e horror. Corei até às pontas do cabelo e apressei-me a dizer “Ele sofre de eczema de pele”.

Estes episódios fazem-nos perceber toda a nossa impotência, apesar de mães. Deixam-nos com um sentimento de profunda tristeza e de culpa sobre o que se passou. Algo que gostaríamos muito, mas, infelizmente, não conseguimos controlar e, muito menos, evitar. Porque nós somos humanas. E porque faz parte do crescimento de todas as crianças. Tão certo como aprender a nadar ou a andar de bicicleta.

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