“Escrever é usar as palavras que se guardaram: se tu falares de mais, já não escreves, porque não te resta nada para dizer”
Miguel Sousa Tavares, “No teu deserto”
Em miúda tive um diário. Era a ele que confiava o meu dia-a-dia, aventuras, desventuras e amarguras de jovem adolescente.
Mais tarde troquei-o por cartas. Longas e sentidas cartas que trocava com a minha melhor amiga quando, passados 10 anos de convivência diária, nos separámos pela primeira vez. Estávamos no 9º ano, eu fui para saúde e fiquei na sede, ela foi para humanísticas e ficou nos pavilhões.
As responsabilidades crescentes e as novas tecnologias tomaram conta do quotidiano. A escrita foi ficando esquecida nas caixas onde guardo os diários de outros tempos e nos rascunhos de cartas que nunca enviei.
Mais tarde, veio a escrita profissional. Formal, massuda e cheia de muletas. Uma escrita chata e desprovida de sentimentos com a qual convivi anos a mais…
Até que um dia surgiu o Histórias Contadas… Pensado para ser o blog da Home Glam, depressa me apeguei a ele, num registo Coca-Cola por Fernando Pessoa: “primeiro estranha-se, depois entranha-se”.
Estranha-se esta exposição na blogosfera. Estranha-se as abordagens de pessoas que não conhecemos, mas que estão sempre do outro lado do ecrã.
Entranha-se esta necessidade de escrever, de partilhar, de comunicar. Entranha-se o prazer de vos saber aí, desse lado, ao meu lado!
Faz hoje 1 ano que reencontrei a escrita. Faz hoje 1 ano que descobri o admirável mundo da blogosfera. Isto porque o Histórias Contadas faz hoje 1 ano. Muitos Parabéns!
Pois bem, deixo-vos aqui a reportagem fotográfica da nossa passagem pela Herdade do Freixo do Meio. Por lá, uma tarde maravilhosa, uma mão cheia de animais diferentes e muita eco-atitude!
E ainda, perdida na paisagem, esta caravana deliciosa que fiz questão de fotografar e que, descobri através de uma amiga, se chama Caravana Bazaar.
Sábado começa sempre cedo, em modo corrida a caminho do ballet. Visto a mais nova e deixo-a à porta do estúdio, que se fecha à minha frente. Mães não são permitidas, porque distraem as crianças... Guardo, a custo, a curiosidade para a festa de Natal...
Segue-se manhã de brincadeira com uma amiga e depois voamos para o Estádio Universitário, onde o mais velho participa no seu primeiro torneio de rugby. Fico impressionada com a quantidade de meninos que se juntam por ali, vindos dos quatro cantos do país. Antes do jogo, o grito de guerra. Ainda não percebi para que serve este ritual, mas prometo que vou estudar a lição e conhecer as regras do jogo que uniu a África do Sul e que agora ensina o meu filho bonzão a defender-se dos outros meninos.
A tarde é mais calma e em família. Uma espécie de estágio para a corrida da manhã seguinte.
No domingo, todos os caminhos vão dar ao Parque das Nações. Por ali, a paisagem pinta-se a fúcsia ao som de Tony Carreira. Ao tiro da partida, um mar de mulheres (e alguns homens) avança Expo fora. Umas a correr outras a andar, todas unidas por esta grande causa. Eu sigo entre elas, no meu ritmo lento. Já próximo do fim, passo pela minha claque preferida: pai e filhos acenam e gritam, para que os veja. Com doses extra de energia e um sorriso tolo no rosto, acelero até à meta.
Depois de um duche rápido, seguimos para o Alentejo. Aqui a paisagem pinta-se em tons de verde. O dia está lindo, ideal para um passeio ao ar livre sob o pretexto do 2º Encontro do Outono, no Montado da Herdade do Freixo do Meio. Quando chegamos o cozido biológico já está esgotado, mas ainda vamos a tempo de almoçar uma sandwich improvisada com queijo da região.
A tarde passa depressa entre passeios pela herdade, ora apreciando as curiosidades que se encontram por aqui, como os cogumelos selvagens apanhados durante a manhã, ora saboreando o famoso pão de bolota acabado de cozer em forno a lenha. Enquanto isso, os mais novos divertem-se a passear numa carroça puxada por um burro, velho e pachorrento, e a fazer tropelias a duas porcas gordas e esfomeadas.
Sem dúvida que o contacto com a natureza, que nós fazemos questão que eles tenham em doses generosas, é uma inesgotável fonte de calma e inspiração para mais uma semana exigente e turbulenta que se avizinha.
Esta frase resume tantos dos princípios que tentamos ensinar aos nossos filhos, que não resisti a trazê-la para aqui.
Cabe-nos a nós fazê-los perceber que somos todos humanos. Que cometemos erros. Que não é vergonha assumir esses erros. E menos ainda pedir desculpa. Que temos que ser pacientes. Aceitar que os outros também erram. E que têm direito a uma segunda oportunidade. Isso é saber perdoar.
E ser felizes... Permitir-nos ser felizes. Dar valor às pequenas coisas. Aproveitar aqueles momentos que dão todo o sabor à (nossa) vida. Dar abraços (o que eu gosto disto! E beijinhos? E mimos? Assumo que faço perder a paciência à miudagem lá de casa com toda a minha melguice de mãe beijoqueira...).
Numa palavra, demonstrar o AMOR que sentimos uns pelos outros.