Saltar para: Post [1], Comentários [2], Pesquisa e Arquivos [3]

Histórias Contadas

Não há famílias perfeitas

Não há famílias perfeitas by Marta Gautier

Andava à procura de um livro da Rita Ferro para me fazer companhia pelas viagens na minha terra. Nunca li nada dela, mas tenho ouvido falar tão bem que fiquei curiosa. Todos os seus livros estavam esgotados, na livraria onde fui, e recomendaram-me a filha, Marta Gautier, e o seu “Não há famílias perfeitas”.

Não é que costume tratar os autores como se de marcas se tratassem, em que quando não há a A leva-se a B, mas o título seduziu-me – tenho para mim que, se há família mais perfeitamente imperfeita, é a minha – e trouxe-o comigo.

Marta Gautier é uma psicóloga clínica, que exerce actividade na área das competências parentais, e este livro resultou da sua experiência nesta área. “Não há famílias perfeitas” é um compêndio de relatos de mulheres que partilham com a psicóloga os seus receios, medos, frustrações de mulheres reais.

Em pequenos textos, servidos com generosas doses de verdade e temperados com humor q.b., a psicóloga vai relatando os casos de mulheres que tropeçam na correria dos seus vários papéis - entre mulher, mãe, dona de casa e profissional – magoando o seu “eu” com tamanha violência que quase perde a identidade.

E, o mais curioso é que uma pessoa se revê em muitos dos relatos aqui apresentados, seja em pequenas passagens do texto, seja no texto todo, como se alguém tivesse entrado no nosso íntimo e pusesse cá fora os pensamentos que não ousamos verbalizar.

O relato que mais gostei, aquele que mais me tocou, foi: “Um dia, uma experiente psiquiatra encontrou uma pessoa que lhe pareceu excepcionalmente saudável e equilibrada. Ansiosa, e estafada de neuroses e psicoses, perguntou-lhe «Como era a sua mãe?» Em vez das respostas mais comuns - «A minha mãe era uma pessoa muito…», ou «A minha mãe amava-me muito, mas…», «A minha mãe fez tudo por mim…» - a psiquiatra ouviu: «A minha mãe amava a vida».”

Caramba. Que bom que era se, um dia, um filho meu usasse estas palavras para me descrever!

Mas, a ladainha que acompanha a vertigem dos meus dias, na correria entre os vários papéis, é outra:

“Juro ter os meus filhos penteados, limpos, bem vestidos, unhas cortadas, vacinas a tempo. Juro brincar com eles, ser uma mãe divertida, não andar em cima deles, ter vida própria… Juro ter a casa arrumada a cheirar a limpo, aquecida, moderna, com design, velas de cheiro… Juro ser sexy, gira, estar gira, vestir-me bem, ter um rabo brasileiro, fazer sexo, comprar algemas… Juro ser companheira do meu marido, seduzir o meu marido, pôr batom para o meu marido… Juro solenemente.”

É verdade... esta sou eu! Mas, quase que aposto que não sou a única ;)

2 comentários

Comentar post

About me

Mais sobre mim

foto do autor

Subscrever por e-mail

A subscrição é anónima e gera, no máximo, um e-mail por dia.

Histórias Contadas no Bloglovin

Follow on Bloglovin

Histórias Contadas no facebook

Arquivo

  1. 2016
  2. J
  3. F
  4. M
  5. A
  6. M
  7. J
  8. J
  9. A
  10. S
  11. O
  12. N
  13. D
  14. 2015
  15. J
  16. F
  17. M
  18. A
  19. M
  20. J
  21. J
  22. A
  23. S
  24. O
  25. N
  26. D
  27. 2014
  28. J
  29. F
  30. M
  31. A
  32. M
  33. J
  34. J
  35. A
  36. S
  37. O
  38. N
  39. D
  40. 2013
  41. J
  42. F
  43. M
  44. A
  45. M
  46. J
  47. J
  48. A
  49. S
  50. O
  51. N
  52. D
  53. 2012
  54. J
  55. F
  56. M
  57. A
  58. M
  59. J
  60. J
  61. A
  62. S
  63. O
  64. N
  65. D